Ter livros em casa é importante para que a criança desenvolva habilidades socioemocionais

Carol Sperandio, coordenadora pedagógica do Colégio Rio Branco, explica o papel dos pais e da escola no processo de incentivar os pequenos a criarem esse hábito saudável

Pessoas que leem livros todos os dias vivem dois anos a mais do que as que não leem, de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de Yale. Por isso, é importante inserir esse hábito na rotina desde a infância. Uma das formas de fazer isso é disponibilizar livros em casa, para que a criança tenha acesso ao conteúdo a qualquer hora.

“A leitura é um ato plural: nunca estamos sozinhos, principalmente quando estamos a sós com um livro. Ela preenche vazios”, diz Carolina Sperandio, coordenadora pedagógica da Unidade Granja Vianna do Colégio Rio Branco. Um leitor é transportado para universos e vivências diferentes, em uma verdadeira imersão.

Assim, ter livros espalhados pela casa é cultivar um ambiente apropriado para explorar o desconhecido, despertar a curiosidade, provocar os cinco sentidos e ter acesso a lugares mágicos que permitem fugir da realidade em um momento difícil. “As histórias de vida são narrativas e os livros podem ser portas de entrada ou pontes entre as pessoas, os lugares e o tempo”, diz Carolina.

Benefícios da leitura desde a infância

De acordo com uma pesquisa denominada “Retratos da Leitura no Brasil”, realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL), em 2019, apenas 52% dos brasileiros possuíam hábitos de leitura, 4% a menos do que em 2015. Essa diminuição é preocupante, visto que os não-leitores perdem os proveitos que um livro pode proporcionar. 

Ler histórias permite que as crianças descubram universos, conheçam diferentes personagens e enfrentem seus próprios desafios emocionais. Dentre as vantagens de cultivar essa prática, a leitura:

  • estimula o desenvolvimento cognitivo e linguístico;
  • aumenta a capacidade de expressão e de comunicação;
  • enriquece o vocabulário;
  • amplia o repertório cultural.

A atividade literária fertiliza a imaginação e a criatividade, além de ensinar a criança a se colocar no lugar do outro ao apresentar personagens com diferentes origens e culturas. Essas habilidades podem ser utilizadas para:

  • resolver problemas;
  • adaptar-se a situações desafiadoras;
  • compreender o mundo ao seu redor;
  • entender a perspectiva das outras pessoas;
  • desenvolver empatia e compaixão.

O papel da escola

Uma criança não consegue criar um hábito de leitura sozinha. Ela precisa de orientações, modelos para seguir e incentivos diários e constantes. É aí que entram as tarefas dos responsáveis pelos pequenos, como as instituições de ensino que frequentam.

A escola tem o papel fundamental de expor as crianças a uma variedade de gêneros literários, autores, culturas e temas complexos, sob a orientação dos professores, que podem contextualizar essas experiências dentro do currículo escolar. Afinal, ler é uma das principais formas de acessar a produção do conhecimento historicamente produzido.

“Ao fomentar e oportunizar a leitura, a escola prepara os estudantes para se tornarem leitores proficientes, habilidade essencial para o bom desempenho em qualquer área do conhecimento ou atividade profissional”, afirma Carolina. Por isso é importante que as instituições de ensino tenham o desenvolvimento literário como prioridade durante a formação dos alunos.

As atividades escolares, como bibliotecas circulantes, rodas de conversa, momentos de leitura coletiva, clubes de leitura, debate sobre as obras, conversa com autores, projetos interdisciplinares ou eventos literários despertam o interesse das crianças e as levam a perceber que a leitura, além de prazerosa e enriquecedora, pode ser transformadora.

O papel dos pais

A família também é uma peça essencial para a construção desse hábito. “Pais leitores inspiram filhos leitores. O exemplo é sempre um elemento educador”, diz Carolina Sperandio. Ler histórias para os filhos cria memórias afetivas e fortalece os vínculos, a relação de confiança e os laços familiares.

Segundo a especialista, as conversas que surgem das narrativas podem abrir espaço para discussões importantes sobre valores, sentimentos e experiências pessoais, contribuindo para o desenvolvimento emocional e social das crianças. Essa experiência também pode desenvolver o senso crítico e a habilidade de diálogo do ser humano em formação.

Os pais podem ajudar com passeios a livrarias nos finais de semana e indicações de livros infantis para inserir a criança no universo da leitura. 

Confira algumas sugestões da coordenadora pedagógica:

  • “Ou isto ou aquilo”, de Cecília Meireles, que ensina a impossibilidade de fugir das nossas escolhas.
  • “As mais belas coisas do mundo”, de Valter Hugo Mãe, que é uma homenagem emocionante ao seu avô, figura marcante em sua vida.
  • “Vazio”, de Anna Llenas, que é um exemplo do poder da literatura no tratamento das dores da alma.

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