23/06/2026
Plantio de espécies ameaçadas marca 10 anos do projeto Paisagem Educativa na Unidade Granja Vianna do Colégio Rio Branco
Ação reuniu estudantes do Colégio Rio Branco e das Faculdades Integradas Rio Branco em iniciativa de restauração ecológica e valorização do Ribeirão Maicuri
No início de junho, alunos do 7º ano do Ensino Fundamental do Colégio Rio Branco e alunos do curso de Relações Internacionais das Faculdades Integradas Rio Branco participaram de um plantio simbólico de espécies nativas da Mata Atlântica em risco de extinção. A ação celebrou os 10 anos da construção da chamada Paisagem Educativa na Unidade Granja Vianna e reforçou o compromisso das instituições com a educação ambiental, a restauração ecológica e a formação cidadã.

Foram plantadas mudas de canafístula, jacarandá-da-bahia e embiruçu, espécies raras no mercado de plantas e ameaçadas em seu ambiente natural. O plantio ocorreu em uma área próxima ao Ribeirão Maicuri, curso d’água que divide e, ao mesmo tempo, conecta as instituições que compõem a Fundação de Rotarianos de São Paulo: o Colégio Rio Branco, as Faculdades Integradas Rio Branco, o Centro de Educação para Surdos Rio Branco (CES) e o Centro Profissionalizante Rio Branco (Cepro).
O evento possui um significado especial por marcar uma década do primeiro plantio realizado dentro da proposta de Paisagem Educativa, conceito que vem sendo consolidado ao longo dos anos como parte da proposta pedagógica da instituição. Também simboliza a integração entre as diferentes instituições que compartilham o mesmo espaço, fortalecendo a ideia de um ecossistema vivo e conectado de aprendizagem, pesquisa e responsabilidade socioambiental.
Mobilização universitária e economia regenerativa
A iniciativa nasceu a partir de um projeto de extensão desenvolvido por estudantes do curso de Relações Internacionais das Faculdades Rio Branco. Os universitários articularam parcerias com a ONG Ecopatas, que promove a arrecadação e reciclagem de tampinhas plásticas para financiar castrações de animais em situação de vulnerabilidade e ações socioambientais, e com a ONG Carbon Free.
Ao acumularem a pontuação necessária para viabilizar o plantio de mudas nativas, os estudantes procuraram o Colégio Rio Branco para convidar as crianças a participarem da atividade. A proposta encontrou acolhimento nos projetos já desenvolvidos pelo componente curricular Cotidiano em Questão (Coquest), criando uma experiência de troca entre diferentes etapas da formação educacional.
Uma história que começou antes
A relação entre os alunos do Colégio e a arborização do campus possui uma trajetória construída ao longo de décadas.
Um dos marcos iniciais ocorreu em 2000, durante as reflexões sobre os 500 anos da chegada dos portugueses ao Brasil. Na ocasião, estudantes do Centro de Educação para Surdos Rio Branco (CES) realizaram o plantio de três exemplares de pau-brasil que permanecem no campus até hoje.
Em 2007, estudantes do Colégio Rio Branco fundaram o coletivo REAJA (Reflexão, Equilíbrio e Ação Junto ao Ambiente). Anos depois, em 2016, o grupo passou a integrar a campanha global Green Wave (Onda Verde), iniciativa internacional que promove plantios simultâneos de espécies nativas em diferentes países durante o Dia Mundial da Biodiversidade. Naquele ano, foi plantada uma Pitangueira no pátio da escola.

Hoje, com quase quatro metros de altura, a árvore tornou-se um símbolo do projeto. Conhecida pelos estudantes como uma “árvore-petisco”, oferece frutos consumidos pelas crianças e jovens durante os intervalos. Existe ainda um acordo ecológico: os frutos alcançados pelos estudantes são destinados ao consumo humano, enquanto aqueles localizados nas partes mais altas da copa permanecem disponíveis para as aves que frequentam o campus.
O Coquest e a construção da Paisagem Educativa
Em 2018, o Colégio Rio Branco implementou o componente curricular Cotidiano em Questão (Coquest), voltado aos anos finais do Ensino Fundamental. A proposta promove investigações científicas e interdisciplinares sobre problemas reais do cotidiano.
Após a interrupção das atividades presenciais provocada pela pandemia em 2020 e 2021, o projeto ganhou novo impulso. Em 2022, o Coquest assumiu definitivamente a missão de transformar os espaços do campus em agentes educadores, utilizando a própria paisagem como ferramenta de aprendizagem e combatendo o fenômeno conhecido como “impercepção botânica”, caracterizado pela dificuldade de reconhecer a importância das plantas nos ambientes urbanos.
O Ribeirão Maicuri como inspiração
No 6º ano, os alunos iniciam uma investigação sobre a água e os cursos d’água urbanos. O foco recai sobre o Ribeirão Maicuri, que percorre a região de Cotia e, posteriormente, deságua no Rio Tietê.
Nos primeiros anos do projeto, o desafio era descobrir onde o rio estava, já que grande parte de seu percurso foi tamponada ao longo da urbanização. Atualmente, os alunos conhecem o trecho visível do ribeirão e realizam análises laboratoriais de suas condições ecológicas.
O trabalho ganhou uma dimensão ainda mais significativa a partir do encontro com a memória institucional. Em entrevista aos estudantes, Ailton Barbosa, colaborador mais antigo em atividade na instituição, compartilhou suas lembranças da infância vivida no antigo lar-abrigo que ocupava o terreno e deu origem à atual Fundação de Rotarianos de São Paulo, por meio do Centro Profissionalizante Rio Branco.
Ailton relatou que, nos anos 1960, costumava nadar e brincar nas águas limpas do Ribeirão Maicuri. O depoimento transformou-se em fonte de inspiração para produções artísticas e literárias dos estudantes, que passaram a imaginar futuros possíveis para o curso d’água e a desenvolver a chamada “Utopia do Maicuri”: o sonho de ver o ribeirão novamente integrado à vida cotidiana da comunidade.
Flora, biodiversidade e restauração ecológica
No 7º ano, os estudos se voltam para a flora, os impactos das espécies invasoras e as possibilidades da economia regenerativa. Os estudantes pesquisam e selecionam espécies para os plantios anuais, organizadas em três categorias pedagógicas.
As chamadas “árvores-petisco”, como pitangueira, cabeludinha, jabuticabeira e sapucaia, apresentam aos alunos sabores pouco conhecidos da biodiversidade brasileira.

As espécies ornamentais sazonais, como os ipês-amarelos e a própria sapucaia, contribuem para criar uma paisagem dinâmica e colorida ao longo do ano, atraindo polinizadores e ampliando as oportunidades de observação da natureza.
Já as espécies destinadas ao resgate da fauna local fortalecem o corredor verde da Região Metropolitana de São Paulo. Vizinho ao Parque CEMUCAM, o campus busca criar condições favoráveis para aves como tucanos e araras, além de outras espécies da fauna regional. A expectativa é contribuir inclusive para o retorno das cutias, animais que deram origem ao nome do município de Cotia.
Reconhecimento
A proposta pedagógica da Paisagem Educativa foi reconhecida pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da cidade de São Paulo (SVMA), que publicou a experiência como relato de prática pedagógica de referência.
Ao completar dez anos, o projeto reafirma a integração entre educação, memória, ciência e sustentabilidade, utilizando o próprio território como espaço de aprendizagem e de construção de futuros mais regenerativos para a cidade.