Por que é importante falar sobre bullying e cyberbullying dentro e fora do ambiente escolar?

Bullying e cyberbullying envolvem atos de violência que, muitas vezes, são gerados por emoções e sentimentos que não puderam ser traduzidos em palavras ou não foram acolhidos. Conversar sobre esses temas permite restabelecer conexões, criar vínculos e promover um ambiente seguro para o diálogo

“Ao abordar esses assuntos, temos a oportunidade de conscientizar, orientar, cuidar e ensinar a partir das informações que recebemos. É responsabilidade dos adultos construírem relacionamentos saudáveis com crianças e adolescentes”, afirma Mariana Abbate, orientadora educacional de apoio à aprendizagem do Colégio Rio Branco.

Ela acrescenta que, quando falamos abertamente, possíveis vítimas se sentem mais à vontade para denunciar, ao aprenderem que não estão sozinhas e que existe ajuda disponível. “Isso as empodera a buscar apoio em vez de sofrer em silêncio. A discussão também pode ajudar a identificar e corrigir comportamentos agressivos antes que se tornem um padrão.”

 

Impactos do bullying e cyberbullying no desenvolvimento das crianças e dos adolescentes

Os efeitos do bullying e cyberbullying nas vítimas incluem quadros de depressão, ansiedade, isolamento social e baixa autoestima, comprometendo seriamente o desenvolvimento das crianças e dos jovens e a participação plena na vida em sociedade. “A alegria de aprender e a confiança em interagir podem ser substituídas por medo e insegurança”, aponta a orientadora educacional.

No entanto, o impacto não se restringe a quem sofre a agressão. Quem pratica o bullying também enfrenta consequências sociais e emocionais. “A manutenção dessa prática reforça padrões de violência e intolerância e dificulta a internalização de valores essenciais como a solidariedade, a convivência democrática e o respeito. Sem uma intervenção adequada, esses indivíduos podem ter dificuldades em desenvolver empatia e habilidades sociais saudáveis”, explica Mariana. 

E, ainda, para aqueles que presenciam o bullying e o cyberbullying, estabelece-se um ambiente de medo, insegurança e um sentimento de impotência. “A passividade frente à injustiça pode levar à dessensibilização ou, por outro lado, a um profundo desconforto e ansiedade, fragilizando a sensação de segurança e pertencimento àquele espaço”, destaca a educadora.

 

O papel da escola no combate ao bullying e cyberbullying 

Para evitar esse tipo de comportamento entre os alunos, as instituições de ensino podem promover algumas práticas. Mariana cita algumas iniciativas que podem ser implementadas:

  • Identificar alunos com dificuldade de socialização e adotar estratégias para incluí-los;
  • Promover a empatia e o respeito por meio de um currículo de educação socioemocional;
  • Mediar de forma adequada os conflitos com práticas restaurativas para a construção de soluções e pactos de convivência;
  • Estabelecer e divulgar um código de conduta rigoroso contra o bullying e cyberbullying, com consequências claras para os agressores;
  • Criar e promover canais confidenciais para os alunos poderem denunciar o bullying, além de designar um adulto de confiança para que saibam a quem procurar e solicitar ajuda; 
  • Monitorar o ambiente online e o uso de smartphones. 

 

Como as famílias podem oportunizar essa discussão em casa

Os pais, como os primeiros educadores e principais influências na vida de seus filhos, têm um papel fundamental ao trazer a discussão sobre bullying e cyberbullying para casa. Segundo Mariana, o ponto de partida é abrir o diálogo frequente, criando um ambiente no qual as crianças e os adolescentes se sintam seguros e à vontade para compartilhar suas experiências e sentimentos. “Isso significa não esperar que um problema surja, mas cultivar conversas diárias sobre o dia a dia na escola e o que acontece nas redes sociais também.”

Ela diz que é importante explicar o que é bullying e cyberbullying de forma clara e acessível à idade, usando exemplos práticos para ilustrar que não são "brincadeiras", mas atos de violência com sérias consequências para todos os envolvidos. “Nesse processo, os pais devem ensinar os filhos a identificar os sinais de que eles mesmos ou outras pessoas podem estar sendo vítimas, como mudanças de humor, isolamento ou danos a pertences”, destaca. “E reforçar a importância de que denunciar é crucial e que buscar ajuda não é "dedurar", mas um ato de coragem e autocuidado.” 

A orientadora educacional também indica ensinar as crianças e os adolescentes a se colocar no lugar do outro, valorizar as diferenças e respeitar todas as pessoas, independentemente de suas características. “Livros, filmes ou notícias podem servir como ótimos gatilhos para essas conversas.” 

Ela lembra, ainda, que os pais são os maiores modelos para os filhos. “Eles devem ser um exemplo positivo em suas próprias atitudes, evitando fofocas, piadas ofensivas ou comentários negativos sobre os outros. E mostrar como resolver conflitos de forma pacífica e respeitosa.”

 

Ambiente digital e como agir frente à uma situação concreta

Outro ponto importante frente à crescente presença digital e à hiperconectividade é o monitoramento responsável do uso da internet e redes sociais. Ela sugere conversar abertamente sobre o uso seguro da web, a importância da privacidade e os perigos do cyberbullying, garantindo que os jovens saibam que terão apoio caso enfrentem alguma situação assim. “Estabeleça regras claras sobre o tempo de tela e os sites permitidos e, se achar necessário, utilize ferramentas de controle parental sempre com transparência e diálogo”, completa.

Por fim, saber como agir se a criança ou adolescente for vítima ou agressor é o passo final na construção desse ambiente seguro. Se for vítima, a orientação é ouvi-lo com atenção, validar seus sentimentos e garantir apoio incondicional, comunicando-se com a escola e buscando apoio profissional se necessário.

Caso seja o agressor, aborde o comportamento com seriedade, explique as consequências de suas ações e trabalhe para que ele compreenda o impacto no outro, focando na conduta e não no rótulo, e buscando a ajuda da escola ou de um profissional, se preciso”, recomenda Mariana.

 

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