
Pais devem envolver os filhos na escolha dos apps e na definição dos limites de tempo e conversar abertamente sobre a importância de protegê-los dos perigos do mundo digital
Com o uso cada vez mais frequente dos celulares por crianças e adolescentes, muitos pais se preocupam com os riscos a que eles podem estar expostos no ambiente digital. Recentemente, esse debate ganhou ainda mais força com a grande repercussão do vídeo do influenciador Felca, que denunciou a exploração sexual de crianças e adolescentes na internet.
Nesse contexto, é importante que as famílias acompanhem e monitorem a utilização desses dispositivos pelos filhos. “Além de poder expor as crianças a conteúdos inapropriados, o anonimato da internet e o contato com pessoas desconhecidas representam um grande perigo. Sem a supervisão, as crianças podem se tornar vítimas de ciberbullying e assédio”, reforça Rafael Leite, professor de Letramento Digital, Cultura Maker e Robótica do Colégio Rio Branco.
Ele acrescenta que o uso excessivo de tela também pode prejudicar o desenvolvimento físico e mental, incluindo problemas de visão, sedentarismo e dificuldade para dormir. “O acompanhamento ajuda a estabelecer limites saudáveis, e não se trata de invadir a privacidade, mas de proteger e orientar os filhos para que eles possam explorar o mundo digital com segurança e responsabilidade. É um ato de amor e cuidado que fortalece a interação familiar e prepara as crianças para os desafios da vida online.”
Importância do diálogo
Rafael diz que, para garantir um ambiente digital seguro em casa, é essencial combinar duas estratégias principais: o diálogo aberto e o uso de ferramentas de controle parental. Segundo ele, por meio do diálogo, os pais podem conscientizar os filhos sobre os riscos online, como o contato com estranhos ou a exposição a conteúdos inadequados.
“Essas conversas também fortalecem a confiança para que os adolescentes se sintam confortáveis em compartilhar suas preocupações e dificuldades, em vez de buscar validação em grupos de risco”, completa Daniela Violato, professora de Letramento Digital do Colégio Rio Branco. “E elas ensinam, ainda, a ter responsabilidade e pensamento crítico sobre o que consomem e compartilham na internet.”
Vantagens dos aplicativos de controle parental
Daniela considera que os aplicativos de controle parental oferecem uma série de benefícios que promovem um equilíbrio saudável entre a tecnologia e o bem-estar infantil, pois possibilitam:
- definir horários específicos para o uso do celular, ajudando a criar uma rotina digital saudável. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), as recomendações de tempo de tela são:
- menores de 2 anos: sem tela.
- 2 a 5 anos: no máximo 1 hora por dia.
- 6 a 10 anos: 1 a 2 horas diárias.
- 11 a 18 anos: 2 a 3 horas por dia.
- filtrar conteúdos, bloqueando sites e aplicativos inadequados para a faixa etária da criança.
- monitorar atividades e localização, possibilitando que os pais vejam os aplicativos mais usados, o histórico de navegação e, em alguns casos, até a localização do aparelho de seu filho, proporcionando mais segurança e tranquilidade.
“Esses aplicativos são ferramentas de apoio que permitem aos pais estabelecerem limites claros e saudáveis, além de manterem um monitoramento responsável”, ressalta a professora. “Além disso, ao mostrar o tempo de uso de cada aplicativo, a ferramenta ajuda a criança a se conscientizar sobre seus próprios hábitos digitais.”
Sugestões de aplicativos de controle parental
Rafael e Daniela indicam e comentam alguns apps para monitorar o uso de celulares:
- Google Family Link (gratuito)
Permite controlar o tempo de uso do celular, gerenciar os aplicativos que a criança pode usar, bloquear apps inadequados e localizar o dispositivo. Os pais instalam o aplicativo no seu celular e configuram uma conta para o filho. Depois, podem acompanhar e limitar o uso diretamente pelo seu aplicativo.
- AirDroid Parental Control (gratuito com avaliação)
Oferece monitoramento completo, incluindo controle do tempo de tela, bloqueio de apps, rastreamento por GPS, monitoramento de mensagens e redes sociais, além de recursos como escuta remota e câmera. Os pais devem instalar o aplicativo no seu celular e no do filho, configurar o monitoramento e definir os limites de uso e bloqueios. O aplicativo permite visualizar a tela do filho em tempo real e receber notificações.
- Qustodio (versões gratuita e paga)
Filtra conteúdos, controla tempo de uso, bloqueia apps e sites inadequados e monitora redes sociais, chamadas e mensagens. A versão gratuita cobre um dispositivo, e a paga permite até 15 aparelhos. Os pais precisam baixar o aplicativo nos seu dispositivo e no celular do seu filho, criar uma conta e configurar os controles desejados, como limites de tempo e bloqueios de conteúdos.
Uso saudável: como alinhar segurança e privacidade
Para que essas ferramentas não sejam vistas como uma forma de invadir a privacidade dos filhos, mas sim como um acordo de segurança, Rafael recomenda que os pais sejam transparentes e conversem abertamente com as crianças sobre a importância da segurança online. “É importante explicar que os aplicativos de controle parental são uma forma de protegê-los dos perigos do mundo digital.”
Daniela também sugere envolver os filhos na definição dos limites de tempo e na escolha dos aplicativos e deixar claro que ele é uma ferramenta de apoio, e que a confiança entre pais e filhos é o que realmente garante a segurança no dia a dia.
Para ela, ao ensinarem sobre comportamento, respeito e responsabilidade online, os pais ajudam a moldar a educação de seus filhos no ambiente digital, da mesma forma que fazem na vida real. “O ambiente digital mais seguro é construído com confiança mútua e proteção ativa, onde a tecnologia se torna uma aliada para manter os laços familiares e garantir a segurança dos filhos.”
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