Como a tecnologia educacional pode ser uma aliada para a aprendizagem e a cidadania digital

É preciso promover o letramento digital -- facilitando a compreensão, a interpretação e a produção de conteúdos -- e a participação ativa na cultura digital de forma segura, responsável e criativa

Desde cedo, crianças e adolescentes já estão imersos na tecnologia digital: utilizam celulares e tablets para consumir conteúdos, como desenhos, séries, filmes e games; interagem com amigos em redes sociais e jogos online; e pesquisam na internet e compartilham criações próprias, como comentários, fotos e vídeos. 

Na escola, a tecnologia educacional oferece a oportunidade de integrar os meios de comunicação e interação digitais ao ambiente de aprendizagem. “Assim, pode promover o letramento digital, facilitando a compreensão, interpretação e produção de conteúdos, e a participação ativa na cultura digital de forma segura, responsável e criativa”, aponta Jorge Farias, professor de Tecnologia Educacional do Ensino Fundamental do Colégio Rio Branco.

Ele destaca também a importância das ferramentas voltadas para os professores. “Elas facilitam o planejamento de aulas, o acompanhamento do progresso dos estudantes e oferecem diferentes metodologias, que podem potencializar a prática pedagógica e o aprendizado.”

Jogos digitais e engajamento

Os jogos digitais, por exemplo, que têm como características principais a diversão e a ludicidade, podem ser poderosos aliados dos professores no momento de ensinar. Já as simulações e a realidade aumentada tornam o aprendizado visível, facilitando a construção do conhecimento pelos alunos. “Quando há encantamento e o processo de aprendizagem é interessante, há engajamento”, ressalta o professor. 

Ele comenta que experiências virtuais de aprendizagem, principalmente jogos, estimulam diversas habilidades cognitivas, como leitura e interpretação de desafios e regras, trabalho em equipe, resolução de problemas, tomada de decisões, organização, foco e cálculo. Essas competências são fundamentais na vida escolar, pessoal e no futuro profissional.

“E o papel dos professores é essencial nesse processo. Ao orientar o uso dos jogos, direcionam os alunos aos objetivos de aprendizagem e potencializam os resultados, transformando a diversão em conhecimento”, afirma.

Tecnologias educacionais: exemplos de ferramentas e plataformas

Jorge conta que, no Colégio Rio Branco, o componente curricular Letramento Digital, focado em tecnologias digitais, está presente no Ensino Fundamental Anos Iniciais. Nele, os alunos exploram temas contemporâneos, como segurança na internet, trilhas digitais em jogos online, cyberbullying e fake news. “Esses assuntos são abordados de forma contextualizada, por meio de desafios interativos que estimulam o uso crítico e responsável das tecnologias.” 

Para resolver esses desafios, os alunos aperfeiçoam-se no uso técnico de computadores e tablets e produzem atividades por meio das ferramentas virtuais disponibilizadas pelo Google Workspace for Education: editor de desenhos, editor de textos, criador de apresentações e sites, planilhas eletrônicas e formulários. Esses recursos são aprofundados e amplamente utilizados nos Anos Finais do Ensino Fundamental. 

Ainda no âmbito do Letramento Digital, ele acrescenta que os alunos são introduzidos à programação por meio de plataformas como Code.org, Scratch Jr. e Scratch. “Essa abordagem favorece o desenvolvimento do pensamento computacional, promovendo a capacidade de abstração, decomposição de problemas, reconhecimento de padrões e formulação de soluções lógicas”, salienta.

Além disso, o Colégio Rio Branco também utiliza diversas plataformas digitais de apoio à aprendizagem, como a Khan Academy e a Matific, que oferecem experiências gamificadas e adaptativas para o ensino da Matemática, e ferramentas como WordWall, Seppo e Kahoot, que permitem a criação de jogos personalizados.

“E, ainda, plataformas como o Google Sala de Aula, SAS e DreamShaper possibilitam a organização de turmas, a distribuição de atividades e recursos didáticos, bem como o acompanhamento do progresso individual dos estudantes. E os estimula a organizar suas produções, dinamizar a rotina de estudos e gerenciar o próprio tempo de aprendizagem”, completa o professor.

Inteligência artificial

Com o avanço da Inteligência Artificial, Jorge diz que os professores têm experimentado constantemente ferramentas dessa natureza, como Chat GPT e Gemini, para aperfeiçoar o processo pedagógico e entender como podem ser utilizadas com os alunos. 

“Enquanto não há um consenso quanto ao uso para crianças e adolescentes, ferramentas mais simples e seguras, como o Canva, são utilizadas como uma espécie de laboratório de IA, com a construção de prompts para pesquisas e geração de imagens”, explica.

Dicas de como levar a tecnologia para a sala de aula

Segundo Jorge, para trabalhar com tecnologia educacional, a primeira coisa é pensar em como atingir um letramento digital básico para que os alunos compreendam a importância de utilizar as tecnologias digitais com segurança e responsabilidade. A partir daí, outros aspectos podem ser abordados. Ele indica quatro pontos:

 

  • Segurança digital

 

Para garantir um acesso digital seguro e responsável, o professor sugere a adesão ao portal do Dia da Internet Segura. No site, há diversos materiais disponíveis, como guias de uso seguro da internet e vídeos com dicas de utilização de redes sociais. A ideia é estimular os alunos a sempre utilizar a tecnologia digital seguindo esses parâmetros de segurança e responsabilidade. 

 

  • Atividades offline

 

Nem sempre a atividade tecnológica precisa ser online. “É possível criar atividades off-line sobre temas que permeiam a internet e o uso de equipamentos digitais”, recomenda o professor. Por exemplo, os alunos podem levantar problemas enfrentados no cotidiano envolvendo a internet e criar um jogo de tabuleiro ou de cartas. Cada grupo se responsabiliza por um tema, como fake news, cyberbullying e tempo de tela, criando desafios que precisam ser enfrentados e soluções para vencer o jogo. É uma boa tática também para escolas com dificuldades de acesso à internet ou equipamentos.

 

  • Foco em habilidades técnicas

 

Sempre que possível, é interessante propor atividades que desenvolvem habilidades técnicas, com edição de texto, imagens, planilhas e apresentação de slides. Com o avanço da vida acadêmica, essas competências serão úteis para os trabalhos escolares e, no futuro, para o mercado de trabalho. 

 

  • Produção audiovisual

 

Produção de vídeos e gravação de áudios para podcasts são atividades poderosas para o aprendizado e geram materiais bastante ricos. Caso a escola não tenha equipamentos disponíveis, e com a nova legislação sobre uso de equipamentos eletrônicos em ambiente escolar, a sugestão é discutir com os alunos e suas famílias a utilização regrada de celulares. “E estabelecer um contrato pedagógico para que esse uso seja eficiente e não prejudique a rotina escolar”, finaliza o professor.

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