
A inteligência emocional é uma habilidade que ajuda as crianças a gerenciarem suas emoções, fazendo escolhas mais conscientes e construindo relações interpessoais mais saudáveis. Assim, o seu desenvolvimento favorece não apenas o bem-estar físico e mental e a socialização, como também impacta o aprendizado e o desempenho escolar.
Mariana Abbate, orientadora de apoio à aprendizagem da Unidade Granja Vianna do Colégio Rio Branco, acrescenta que a inteligência emocional contribui para a própria motivação e para o desenvolvimento de formas mais eficazes de se comunicar e colaborar com os outros. “Também faz com que a pessoa tenha maior adaptabilidade e flexibilidade em diferentes ambientes, além de reduzir o estresse ao compreender suas emoções e ter controle sobre elas em situações desafiadoras”, destaca.
A seguir, ela detalha como surgiu o conceito de inteligência e inteligência emocional, sua importância para o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes e como os pais podem estimulá-la.
Histórico do conceito de inteligência
A orientadora explica que, no século XIX, Herbert Spencer e Francis Galton faziam parte de um grupo de intelectuais que se interessavam em estudar a inteligência humana. Eles acreditavam na capacidade humana geral e superior, baseada no reflexo de habilidades sensoriais e perceptivas que podiam ser herdadas geneticamente. “Em um primeiro momento, achava-se que a inteligência podia ser medida por bons preditores acadêmicos, como percepção sensorial e associações verbais, por exemplo.”
Nos anos seguintes, Alfred Binet defendeu que a inteligência estaria associada à capacidade de realizar atividades ainda mais complexas do dia a dia. Para alguns, a inteligência podia ser definida como uma capacidade geral de compreensão e raciocínio e, para outros, como capacidades mentais diversas, relativamente independentes umas das outras.
Inteligências múltiplas e inteligência social
“A definição de inteligência evoluiu, significativamente, ao longo da história da psicologia. Howard Gardner criou a Teoria das Inteligências Múltiplas, defendendo a existência de diversas inteligências independentes, como a lógico-matemática, linguística, musical, espacial, corporal-cinestésica, intrapessoal e interpessoal, cada uma operando de maneira específica no cérebro”, aponta.
Na sequência, ela relata, Neisser e colaboradores complementaram essa visão, focando na capacidade de compreender ideias complexas, adaptar-se ao ambiente e aprender com a experiência e resolver problemas por meio do pensamento.
“Gradualmente, a psicologia se aproximou do termo inteligência emocional, tão utilizado hoje. O conceito de inteligência se expande, quando Thorndike descreve Inteligência Social (IS) como a capacidade de perceber as próprias emoções e as dos outros, bem como seus motivos e comportamentos, utilizando essa compreensão para agir de forma eficaz em contextos sociais”, conta.
Inteligência emocional
A Inteligência Emocional surge, então, de um campo da Inteligência Social, como uma subcategoria que abrange a habilidade de monitorar, discriminar e utilizar as próprias emoções e as dos outros para guiar o pensamento e as ações. “Dessa forma, ela representa a capacidade de lidar habilmente com o mundo das emoções, tanto as nossas, quanto as dos outros, influenciando positivamente o comportamento e a tomada de decisões”, salienta.
Nos anos 90, Daniel Goleman lança o livro “Inteligência Emocional”, com uma interpretação própria do termo que se popularizou na mídia e na literatura. Hoje, segundo Mariana, o conceito que vigora é o seguinte:
“A inteligência emocional envolve a capacidade de perceber acuradamente, de avaliar e de expressar emoções; a capacidade de perceber e/ou gerar sentimentos quando eles facilitam o pensamento; a capacidade de compreender a emoção e o conhecimento emocional; e a capacidade de controlar emoções para promover o crescimento emocional e intelectual”. (Mayer & Salovey, 1997, p. 15).
Inteligência emocional e ambiente escolar
Na escola, a inteligência emocional permite passar pelo complexo ambiente escolar com sucesso, tanto no âmbito pedagógico quanto social. “Ela fornece as ferramentas necessárias para a construção de relacionamentos interpessoais saudáveis e gratificantes, que favorecem um bom desempenho”, ressalta a orientadora.
Ela dá exemplos de como a inteligência emocional impacta o aprendizado, o desempenho escolar e as relações interpessoais dos alunos:
- Melhora do foco e da concentração: o aluno gerencia melhor distratores externos ao ambiente e internos, como ansiedade e outras preocupações.
- Otimiza a memória e o processamento das informações pela criação de um estado emocional mais favorável à aprendizagem
- Favorece estratégias de estudo eficazes, pela capacidade e percepção das próprias necessidades em autoanálise.
- Fortalece a motivação e a persistência, ao compreender e regular as próprias emoções, inclusive a frustração diante dos desafios no processo de aprendizagem.
- Proporciona maior engajamento nas aulas, em um espaço seguro e empático, onde todos podem se manifestar e participar ativamente das propostas pedagógicas.
Estratégias para trabalhar a inteligência emocional das crianças
Mariana comenta que, quando nos tornamos pai ou mãe, desejamos quebrar ciclos geracionais, evitando cometer os mesmos erros que os nossos pais. “Assim, queremos oferecer recursos para que nossos filhos se tornem adultos seguros, capazes de enfrentar desafios, solidários e amados -- é daí que vem a necessidade de desenvolver a inteligência emocional dos filhos e filhas”.
Para estimular a inteligência emocional das crianças e dos adolescentes, ela sugere:
- Oferecer um ambiente seguro para manifestarem suas emoções;
- Ensinar a reconhecer as próprias emoções;
- Refletir para regular as emoções e evitar reações impulsivas;
- Orientar sobre possíveis soluções e não resolver os desafios ou problemas encontrados pelos filhos.
“Dessa forma, promovemos o bem-estar dos pequenos, pois o desenvolvimento da inteligência emocional contribui para a saúde mental e física, a partir da regulação emocional e da capacidade de lidar com diferentes situações, e estimula a expressão das próprias necessidades e opiniões de forma clara e respeitosa”, finaliza.
Leia também: