Como usar a nota do Enem para estudar no exterior

Pontuação no exame pode ser uma porta de entrada para universidades fora do Brasil; instituições de ensino superior portuguesas utilizam a nota como critério de seleção para ingresso direto

Para muitos estudantes, ingressar em uma universidade estrangeira pode parecer algo distante devido aos desafios financeiros e burocráticos. Mas, a possibilidade de usar a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para cursar o ensino superior em outro país torna esse sonho mais próximo. Diversas instituições de diferentes nações já aceitam a nota do Enem em seus processos seletivos. 

Vale lembrar que o Enem é o principal vestibular do país e a mais importante porta de entrada para o ensino superior brasileiro. Além de dar acesso a universidades públicas por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), a instituições privadas e a programas como o Universidade para Todos (ProUni) e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), o Enem também possibilita o ingresso em instituições estrangeiras desde 2014.

Formas de utilização do exame

De acordo com Renata Condi, coordenadora de Educação Internacional do Colégio Rio Branco, coordenadora e coautora do livro “Estudar, trabalhar e morar em qualquer lugar”, existem duas principais formas de utilizar o Enem para ingressar em universidades no exterior:  

  • Comprovação de aptidão para o ensino superior  

Algumas instituições exigem que o candidato comprove que foi aceito em uma universidade brasileira ou que possuía condições de ser aprovado em uma. A nota do Enem pode ser usada para isso, acompanhada do certificado de conclusão do Ensino Médio e do histórico escolar.  

  • Critério de seleção para ingresso direto  

Essa modalidade se aplica a universidades portuguesas. Em 2014, foi criado o “Enem Portugal”, programa de acordos interinstitucionais entre o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao Ministério da Educação (MEC), e instituições de educação superior do país. A Universidade de Coimbra – uma das mais renomadas do mundo, fundada em 1290 – foi pioneira nesse processo.

Renata explica que, para aqueles que desejam estudar no exterior, é necessário comparecer aos dois dias de prova do Enem e responder o máximo possível de questões, além de realizar a redação. “Isso se dá por duas razões: o resultado só é válido se o candidato tiver participado dos dois dias de aplicação. E as universidades no exterior que usam o Enem vão analisar suas notas e, por vezes, a nota da sua redação. Logo, quanto mais conseguir responder, mais chances terá”. 

Países e universidades que aceitam a nota do ENEM 

Cada universidade tem critérios específicos para uso da nota, definindo suas regras e pesos específicos. Além da pontuação mínima exigida, as instituições costumam solicitar o histórico escolar, cartas de recomendação e comprovação de proficiência no idioma local. Todos os documentos devem ser traduzidos para a língua oficial do país por um tradutor público juramentado.

Os estudantes também precisam ficar atentos aos custos, já que são responsáveis por arcar com todas as despesas da viagem e da estadia, como passagens, seguro de saúde, alimentação e moradia. Também é importante consultar o site oficial da universidade de interesse para obter informações detalhadas sobre os requisitos e prazos de inscrição.

Portugal 

Devido ao acordo interinstitucional com o Inep, universidades, institutos politécnicos e escolas superiores portuguesas garantem acesso facilitado às notas dos estudantes brasileiros interessados em cursos de graduação no país. Portugal é a nação que possui o maior número de instituições (26, no total) que aceitam o Enem. Além da Universidade de Coimbra, há a Universidade do Minho, a Universidade de Aveiro e a Universidade Nova de Lisboa. Você pode conferir a lista completa no site do Inep. 

Os requisitos variam conforme a instituição, mas, geralmente, é necessário ter uma pontuação mínima entre 500 e 600 pontos em cada uma das áreas de conhecimento do exame. Algumas universidades também podem exigir uma nota mínima na redação.

As instituições públicas concentram a maior parte dos alunos do ensino superior, com cerca de 80% do total de matrículas. Todos os estudantes pagam taxas como forma de coparticipação nos custos do ensino, mesmo nas instituições públicas.

Reino Unido 

Universidades como Kingston, Glasgow e Bristol aceitam a nota do Enem, além de critérios adicionais, como certificado de conclusão do Ensino Médio e de proficiência na língua. No caso de Glasgow e Bristol, o candidato precisará passar ainda por um ano de preparatório. 

França 

A nota do Enem pode ser usada para a candidatura a algumas universidades, como  École Normale Supérieure e Institut National des Sciences Appliquées de Lyon. Mas o estudante também deve ter sido aprovado em uma instituição de ensino superior brasileira reconhecida pelo MEC. Além disso, é comum que as instituições exijam comprovação de proficiência em francês. 

Irlanda  

Algumas universidades na Irlanda aceitam o Enem como critério de admissão, entre elas a University College Dublin, a University College Cork e a National College of Ireland. Também é necessário apresentar o diploma do Ensino Médio. No caso da University College Cork, o candidato deve ter feito pelo menos um ano de bacharelado em uma universidade reconhecida no Brasil.

Canadá e Estados Unidos 

Mesmo que a maioria das universidades canadenses e americanas também não aceite o Enem diretamente como critério de admissão, algumas instituições utilizam a nota como parte do processo seletivo. Geralmente, exigem que o estudante  apresente resultados de exames, como o SAT (Scholastic Assessment Test) ou ACT (American College Testing), e certificado de proficiência em inglês. 

No Canadá, os brasileiros podem se candidatar na University of Toronto e na York University. Nos Estados Unidos, na New York University, Drexel University, Northeastern University e Temple University.

 

Leia também:

Comentar