
Pais devem fomentar uma relação próxima entre os filhos e promover experiências conjuntas, sempre respeitando a individualidade de cada um
Ter um irmão é uma experiência singular de convivência, compartilhamento e construção de laços afetivos. Frequentemente, irmãos se tornam companheiros, vivenciando situações comuns e dividindo histórias, desafios e conquistas. Nesse sentido, é importante que os pais fomentem uma relação positiva e próxima entre os filhos desde os primeiros meses de vida.
Juliana Góis, orientadora educacional de apoio à aprendizagem do Colégio Rio Branco, destaca que, assim como os pais, os irmãos são um modelo de comportamento, e a influência que exercem entre si não deve ser subvalorizada.
“Eles aprendem um com o outro como se comportar com os pares e como enfrentar situações do cotidiano. Afinal, por muito tempo, irmãos partilham a mesma rotina, os mesmos círculos sociais e os mesmos ambientes. Essa convivência diária favorece que atuem como importantes agentes socializadores, sem deixarem de criar seus próprios caminhos no decorrer do tempo.”
A relação positiva entre irmãos também favorece a estabilidade emocional na vida adulta. A orientadora ressalta que a partilha e a cumplicidade que se dão nas fases iniciais tendem a permanecer no futuro. Por exemplo, na divisão de responsabilidades e cuidados com os próprios pais. “E a diferença de gênero, de idade ou de personalidade entre os irmãos pouco impacta nesse processo, mas sim o vínculo que as vivências proporcionam”, afirma.
O papel da família
Segundo Juliana, para que a influência positiva dos irmãos seja maximizada, os pais devem estimular uma relação próxima entre os filhos desde o início e promover experiências conjuntas. “É claro que podem existir momentos de ciúme e inveja entre eles, mas o vínculo se estabelece no decorrer do tempo. Afinal, se olharmos para nossa linha do tempo, vamos perceber que são divididas e eternizadas incontáveis experiências e memórias”, observa a orientadora.
A existência de conflitos é considerada natural e inerente ao período de convivência -- é provável que irmãos dividam mais o tempo entre si do que com quaisquer outras pessoas. Para transformar eventuais brigas e desentendimentos em oportunidades de aprendizado e crescimento, os pais devem acompanhar a relação entre os filhos e estimular a convivência, mas permitindo sempre que eles encontrem por eles mesmos uma saída para os conflitos, intervindo apenas quando necessário.
Outro ponto a ser considerado é a expectativa de, por serem irmãos, que eles sejam semelhantes. “Mas ter os mesmos valores não implica em ser igual – e ainda bem. É necessário evitar comparações, compreendendo que, apesar de tantas experiencias comuns, cada ser é único com suas forças e fraquezas, qualidades e defeitos, acertos e erros, sonhos e desejos”, aponta Juliana.
Leia também:
A influência do exemplo na criação dos filhos
Como resgatar a própria infância influencia na parentalidade?
Comunicação familiar demanda interações diárias e escuta ativa