Como trabalhar a autoestima do seu filho?

Palavras, atitudes e comportamentos dos pais influenciam diretamente a maneira como a criança se vê e se percebe. Veja como fortalecê-la de forma saudável

A autoestima – a avaliação que uma pessoa faz de si mesma -- é um fator fundamental para o desenvolvimento das crianças. Ao se perceberem de forma positiva e se sentirem capazes de enfrentar desafios, elas ganham autoconfiança e podem exercitar sua autonomia e independência.

Rose Sertório, orientadora educacional da Educação Infantil da Unidade Granja Vianna do Colégio Rio Branco, diz que uma criança com boa autoestima tem mais capacidade de lidar com fracassos e adversidades, ou seja, ela desenvolve resiliência. “Ela entende que erros fazem parte do processo de aprendizagem e não diminuem seu valor. Além disso, ela tende a ser mais empática, pois se sente segura para reconhecer e respeitar os sentimentos dos outros, o que melhora suas habilidades sociais e a qualidade das suas amizades.”

Ela acrescenta que a criança aprende a confiar em seu próprio julgamento. “Isso é crucial quando ela enfrenta decisões, seja na escola, nas relações interpessoais ou em outras situações da vida.”

Por outro lado, crianças com baixa autoestima tendem a ter dificuldades para fazer escolhas e até mesmo a evitar situações desafiadoras por medo de falhar. “Também podem ter dificuldades de se defender, aceitar críticas ou estabelecer conexões saudáveis.”

Além disso, a autoestima baixa pode levar a problemas como ansiedade, depressão e isolamento. "A pessoa se sente incapaz e sobrecarregada pelas expectativas em relação ao que "deveria" se tornar. Esses sentimentos de inadequação geram insegurança, afetando profundamente seu bem-estar emocional”, afirma a orientadora.

O papel da família

Os pais são fundamentais no processo de construção da autoestima de seus filhos. Isso porque suas palavras, atitudes e comportamentos influenciam diretamente a maneira como a criança se vê e se percebe.
“Para os pais, também é um processo rico de autoconhecimento, em que podem surgir sentimento de culpa, cobranças e exigências”, aponta. “No entanto, quando a base desse processo é o diálogo e o respeito, muitas descobertas amorosas e transformadoras acabam sendo vivenciadas.”

Rose lista 8 sugestões de como os pais podem contribuir para o fortalecimento da autoestima de seus filhos:
Demostre amor incondicional: expresse seu amor, independentemente do comportamento ou desempenho do seu filho ou filha.

Elogie o esforço e não apenas o resultado: incentive e reconheça o empenho, a dedicação e o processo de aprendizagem da criança. Isso a ajuda a entender que ela tem valor independentemente dos resultados imediatos.
Seja uma referência de autoconfiança e autocompaixão: demonstre confiança em suas próprias habilidades, mas também mostre que tudo bem cometer erros e aprender com eles. Esse comportamento ensina a importância de se aceitar e se valorizar, mesmo nas falhas.

Acolha as frustrações: ao ser apoiada e acolhida de forma empática, a criança aprende a lidar melhor com os obstáculos. E, com o tempo, desenvolve uma abordagem mais positiva e assertiva diante das situações desafiadoras.
Estabeleça limites claros e justos: a criança precisa saber os comportamentos que são esperados e as consequências de suas ações. Com isso, ela sente mais segura e compreende que tem controle sobre suas escolhas.

Escute e valide os sentimentos da criança: ouça com atenção o que seu filho tem a dizer e valide suas emoções, mostrando que elas são importantes e legítimas. Assim, ele se sente compreendido e respeitado, o que fortalece sua autoestima.
Incentive a independência e valorize as opiniões de seu filho: encoraje-o a fazer escolhas e a assumir responsabilidades adequadas à sua idade. Desta forma, ele desenvolve confiança em sua capacidade de tomar decisões e a perceber seu próprio valor.

Respeite a individualidade e as emoções da criança: cada pessoa é única e tem seus próprios interesses, ritmos de aprendizagem e maneiras de lidar com as emoções. Respeite a individualidade de seu filho, incentivando-o a ser ele mesmo, sem comparações com os outros.

Cuidados com a autoestima “inflada”

Se a baixa autoestima pode ser um problema, o excesso de autoestima, por sua vez, também deve ser evitado. Rose explica que a arrogância geralmente surge de uma autoestima inflada, de um senso exagerado de superioridade ou de uma falta de empatia pelos outros.

Segundo a orientadora, o excesso de autoestima pode estar relacionado à educação recebida durante a infância e à superproteção - o esforço exagerado dos pais em criar pessoas livres de traumas. “A ideia de ser merecedor das melhores opções, de poder alcançar qualquer objeto de desejo, associada a comportamentos narcisistas, gera problemas de toda ordem”, alerta.

Para que isso não aconteça, é importante ensinar às crianças sobre empatia e respeito, para que elas consigam se colocar no lugar dos outros e agir com respeito. “Ensinar sobre como os outros se sentem e como nossas ações afetam as pessoas é fundamental para cultivar a consideração e a bondade. Pessoas empáticas tendem a valorizar mais os outros e agir com sensibilidade.”

Em relação ao excesso de autoestima, a orientadora dá outras dicas aos pais:

Evite comparações: comparar uma criança com outra pode levá-la a se sentir superior ou inferior. Foque no desenvolvimento do seu filho, reconhecendo seus esforços e progressos.

Ensine a trabalhar em equipe: isso é essencial para que ela aprenda a valorizar a colaboração e a ajudar os outros. A arrogância muitas vezes vem da ideia de que uma pessoa pode fazer tudo sozinha ou que seu valor é medido apenas pelo que ela conquista individualmente. Ensinar a importância de trabalhar com os outros de forma cooperativa ajuda a criança a ser mais modesta e a respeitar as contribuições dos colegas.

Mostre como lidar com a derrota de forma construtiva e a celebrar suas vitórias com modéstia: é importante ensinar que o sucesso não é motivo para se sentir superior aos outros e que a derrota é uma oportunidade de aprendizado, não um reflexo do valor pessoal.

Valorize a humildade, o respeito, a empatia e a colaboração: ao dar o exemplo e corrigir comportamentos de forma construtiva, os pais contribuem para que a criança cresça com esses valores, não se sinta superior aos outros e se preocupe com as pessoas ao seu redor.

“Nossa missão é tornar a vida de nossas crianças e adolescentes um percurso de autodescoberta, no qual a busca por seus próprios caminhos seja sempre estimulada por apoio, compreensão e valorização de suas qualidades únicas”, conclui Rose.

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